
As nossas vidas são feitas de escolhas, tolos são os que pensam que podem caminhar sem ter que se defrontar com as encruzilhadas da vida.
Há sempre as perguntas: Que caminho tomar? Qual direção a seguir? Algumas pessoas seguem adiante, olhando para trás ou para os lados para ver se o percurso escolhido foi o acertado, e caso tenham errado, se ainda podem retornar e retomar a caminhada por outra estrada.
Contudo, o mais comum é encontrarmos pessoas que evitam olhar ao redor, com medo de chegar a conclusões doloridas, fixam sua visão na direção central e não se permitem desfrutar do que estar ao seu lado, como cavalos que são obrigados a usarem tampões no focinho a fim de olharem apenas em uma direção, para que não mudem de rumo.
Assim, tomando o exemplo destes cavalos com os seus tampões, alguns limitadores de decisões são postos por outras pessoas - seqüestradores da subjetividade alheia - , outros bloqueadores são colocados por seu próprio usuário – mutiladores do autoconhecimento.
Os primeiros limitam por vários motivos, podemos citar alguns: insegurança, ditadura, ciúme, monopólio, complexo de inferioridade, posse, culpa, medo, etc.. Desta forma, impõe suas opiniões aos outros ceceando seus direitos de escolha.
No segundo exemplo, há uma permissividade de se deixar manipular ou até mesmo de se automutilar, anulando o legítimo desejo das autoescolhas.
Em minha opinião, esta permissividade são autosabotagens, alguém permite ou se permite limitar-se, reduzir suas escolhas a umas poucas ou, porque não dizer, apenas a uma opção.
Isto ocorrer pelo desconhecimento de si mesmo e o medo de se autoconhecer. Grande é o número de pessoas que limitam suas vidas apenas a uma estrada esburacada, tortuosa, íngreme, mas que a conhecem, ao invês de trilharem por um caminho desconhecido, mesmo que este caminho se apresente de forma atraente e convidativo.
A estrada da vida deve ser a via escolhida, com buracos ou sem buracos, íngreme ou plana. A escolha precisa ser feita consciente, não o que dizem ser o melhor, não deve ser a única opção, mas A opção.
Isto tudo só acontece quando há o autoconhecimento. Quando a pessoa sai de sua zona de conforto e busca se questionar, tirar o que não é seu e se comprometer em escrever sua própria história.
Para compreender um pouco mais imagine uma mãe, limitada em seu poder econômico, que oferece à filha pequena um suco de beterraba quando esta lhe pede um suco de morango, por ser este primeiro ingrediente mais barato que o segundo. Esta criança bebe o suco, deliciando-se. Enquanto pequena deixa-se enganar por seu desconhecimento, porém, ao crescer descobre que foi enganada, ludibriada. Ao tomar o verdadeiro suco de morango, percebe ser este saboroso também, contudo, totalmente diferente do suco que sua mãe lhe havia dado durante toda a sua vida.
Imagine a decepção desta criança, a dor de se ver iludida. Por um bom tempo ela poderá rejeitar tudo que venha de sua genitora. Dor e desilusão irão permear seu relacionamento afetivo. A ruptura é inevitável, a quebra da confiança. O luto se faz presente. É a substituição da imagem perfeita pela imagem humana da mãe que erra, que engana, mas que ama e que fez o melhor que tinha ao seu alcance. Maldosos são pessoas doentes que erram querendo errar, na grande maioria os erros são conseqüências de uma má informação, do melhor que se podia fazer ou de outros autoenganos.
Bem, esta criança - que pode ser agora um adulto - se depara com a sua primeira decisão de escolha: 1) continuar confiando na mãe apesar de, procurando entender suas razões, ou 2) ignorar sua humanidade cobrando-lhe a falta. Decisão nada fácil.
Uma outra escolha será definir qual suco será o seu preferido: o de beterraba, a qual se deliciava, e lhe trás lembranças felizes de uma infância carregada de afeto materno, mas agora sabendo que é beterraba; ou substituir pelo suco de morango que era alvo de seu desejo, e que se mostrou, também, como sempre imaginara saboroso.
Desmascarar o engano é necessário, saudável, mas não menos doloroso. Necessário porque ninguém deve viver na escuridão. Saudável porque a verdade é sempre libertadora. Doloroso porque fantasias são - e precisam ser - desfeitas, e muitos querem viver num mundo do faz de conta.
ESCOLHA é uma decisão às claras, sem medos, sem seqüestros, sem justificativas, sem autoenganos.
ESCOLHA, é ter vários caminhos, saber onde chegarão cada um, quais paisagens compõem cada cenário, e optar pelo melhor, PARA SI MESMO.
Joseane Pires
Psicanalista








