TRAUMA INFANTIL - COMO ENTENDER?

Imagine alguém comprando uma peça de roupa muito fina e delicada. Aquele tipo de tecido que é preciso ter todo o cuidado possível na hora de manusear. As unhas devem estar bem cortadas para que não desfie nenhum fio e na hora de sua lavagem deve ser separada e lavada manualmente para que não venha a ter nenhuma mancha.
Mas, a pessoa não toma os devidos cuidados e/ou por um descuido acaba puxando um fio ou manchando a peça na hora de sua lavagem.

Uma opção seria continua usando a peça de vestuário ignorando o acidente, achando que ninguém irá perceber, embora que ela mesma não consiga esquecer.

Outras tentam fazer um remendo, cosendo o fio solto ou tentando tingir caseiramente. Contudo, infelizmente, a peça não terá mais o brilho inicial.

O que fazer para recuperar a peça, para que tenha a aparência de nova?

Creio que a peça só será restaurada nas mãos de um profissional, tanto para a recuperação do fio solto quanto para o seu tingimento. A peça nunca mais será a mesma, contudo, o seu possuidor não se sentirá incomodado, e com o tempo nem se lembrará do acidente.

Assim, poderíamos afirmar que, esta é uma das conseqüências da origem do trauma infantil: Por mais cuidados que os pais tenham, acabam um dia se descuidando - por ignorância ou pela repetição dos erros de seus próprios pais – e mesmo que tentem remediar o que foi feito, cercando-os de cuidados , não repetindo mais os erros, o que foi feito estar marcado.

Há marcas que só o próprio individuo percebe, são as inseguranças, os medos, a baixa auto-estima, as revoltas, a auto-sabotagem. Porém, todo sentimento interno gera uma resposta externa, desta forma o que era particular passa a ser público. São as instabilidades nos relacionamentos amorosos, profissionais e emocionais, por exemplo.

Algumas pessoas, mesmo percebendo que algo não vai bem, tentam fingir que nada esta acontecendo e levam suas vidas aos trancos e barrancos. Outros, não se conformam e, mesmo não sabendo de suas origens, lutam com todos as suas forças para se verem livres de tais reações.

Este segundo grupo, muitas vezes, não consegue entender porque o ciclo é sempre repetitivo, pois há uma ambivalência de sentimentos: de um lado a vontade de seguir em frente, crescer, mudar, progredir; do outro o congelamento das ações, a paralisia, a estagnação.

Assim, como no exemplo da roupa danificada, é necessário um profissional capacitado, que entenda o funcionamento da mente humana, utilizando as ferramentas necessárias para cada caso. O trauma não será apagado, mas será resignificado – visto de uma outra forma, não mais incomodando ou atrapalhando a vida adulta.

Joseane Pires
Psicanalisrta

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