
Quantas pessoas já não se fizeram esta reflexão. De repente olham para si mesmas e não se reconhecem. Sentem-se deslocadas, como se tivesse faltando algo dentro de si. Pensam de uma forma e agem de outro jeito. Querem ser felizes, mas só pensam nos obstáculos.
Repetem padrões adotados pelos pais, e mesmo que não aceitem continuam copiando as mesmas atitudes. É como aquela antiga canção do Belchior:
“Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos. Nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...
Ainda há uma outra situação para estas pessoas: é a de internalizarem tudo o que foi dito sobre elas, mesmo que isto não represente a verdade.
Ainda há uma outra situação para estas pessoas: é a de internalizarem tudo o que foi dito sobre elas, mesmo que isto não represente a verdade.
Mas, porque tudo isto acontece? Porque é tão difícil mudar o padrão antigo e adotar um novo?
Recorro a uma analogia para tentar responder:
As pessoas são como árvores, cujas raízes foram plantadas por outras pessoas (no caso os pais), e ao crescer geram frutos. Todavia, nem sempre estes frutos são os frutos saudáveis, grandes ou doces que gostariam de produzir.
Como fazer, então, para mudar esta realidade?
Poderiam colocar mais adubo, mais água ou podar suas folhas. Nestes casos, a melhora até pode ser imediata, porém, não definitiva. Sua eficácia é passageira, pois basta deixar de ter estes cuidados contínuos que tudo voltará ao estágio anterior.
A melhor forma de mudar, acredito, seria mexer na raiz, pois ela é quem é a responsável por toda a árvore. Se não tratar a raiz, nada muda definitivo.
Assim, quando uma pessoa nascer recebe uma programação que, ao se tornar adulta, não corresponde com a sua visão de mundo ou até com ela mesma (self). Passam a escrever sua história com a caneta do pai, da mãe, das crenças familiares, da coletividade, etc.
É quando ela olha para sim mesma e diz: EU não sou EU. EU sou o que dizem ou que fizeram de mim.
Descobrir o verdadeiro EU, é uma tarefa, ás vezes árdua, contudo, proporciona cura.
Costumo comparar a caminhada do autoconhecimento com a quimioterapia.
Um doente que tem câncer, não demonstra o que se passa em seu interior. Ninguém ficará sabendo, se ele não divulgar. Contudo, no momento em que ele começa a fazer o tratamento, fica visível a todos. Muitos se afastam por pré-conceitos, por não saber como lidar com a situação ou/e por constrangimentos.
E aquilo que era silencioso, e ainda nem incomodava tanto, passa a ser um tormento: o cabelo cai, a pele fica amarelada, as ânsias de vômitos são constantes. Uma verdadeira vias crucis. Entretanto, o mal é para a cura e não para a morte.
No final o doente fica livre do câncer e poder ter sua vida restaurada e retomada.
O medo do autoconhecimento, ou mesmo o preconceito de pedir ajuda tem levado muitas pessoas a morrerem lentamente com receio de se expor ou lutar por seus direitos. Direitos estes adquiridos desde seu nascimento.
Joseane Pires
Psicanalisrta
A psicanálise é uma proposta.
Joseane Pires
Psicanalisrta





