HUMANOS OU ROBÔS?
Tristeza, medo, saudade, frustação, raiva... são sentimentos inerentes ao ser humano. Contudo, vivemos uma época em que se busca a robotização das emoções, como se tivéssemos um botão para desligar e ligar o que se é perm...itir sentir ou não sentir.
Aliás, esse botãozinho já existe, em forma de cápsulas que são digeridas com algum líquido.
Existem muitos pontos que poderiam ser abordados sobre esta nova (nova?) tendência, porém, comentarei o aspecto psicanalítico.
Os sentimentos acima citados, ou tantos outros como: rejeição, decepção, anulação, temor, etc., são muitas vezes ignorados e traduzidos por depressão, ansiedade e/ou angústia.
É muito comum receber no consultório pessoas que se queixam de terem estado angustiados, e quando investigamos descobrimos uma saudade de um ente querido que faleceu naquela época do ano (aniversário, datas comemorativas, etc.).
O problema maior está em não sabermos nomear as emoções. Simbolizar os afetos é algo que devemos aprender desde pequeninos. É uma das tarefas principais da mãe ( ou quem ocupe esta função) dar nome aos sentimentos dos seus filhos, ensinando-os, mesmo que este por ser tão pequeninos, ainda que não possam alcançar a extensão das diferenças entre amor e ódio (sentimentos primários).
Enquanto responsáveis, devemos está atentos em ensinar aos pequeninos que existem diferenças de afetos, que estes (sentimentos) podem e devem ser traduzidos em palavras e atos.
Enquanto adultos, se fazemos parte da estatística da economia emocional (enquadramento dos afetos em depressão, angústia e ansiedade), procurar observar se estes sentimentos são legítimos e, se possível, exercitar novas nomenclaturas para as emoções.
Joseane Pires - Psicanalista





