HUMANOS OU ROBÔS?
 


 Tristeza, medo, saudade, frustação, raiva... são sentimentos inerentes ao ser humano. Contudo, vivemos uma época em que se busca a robotização das emoções, como se tivéssemos um botão para desligar e ligar o que se é perm...itir sentir ou não sentir.
Aliás, esse botãozinho já existe, em forma de cápsulas que são digeridas com algum líquido.

Existem muitos pontos que poderiam ser abordados sobre esta nova (nova?) tendência, porém, comentarei o aspecto psicanalítico.

Os sentimentos acima citados, ou tantos outros como: rejeição, decepção, anulação, temor, etc., são muitas vezes ignorados e traduzidos por depressão, ansiedade e/ou angústia.

É muito comum receber no consultório pessoas que se queixam de terem estado angustiados, e quando investigamos descobrimos uma saudade de um ente querido que faleceu naquela época do ano (aniversário, datas comemorativas, etc.).

O problema maior está em não sabermos nomear as emoções. Simbolizar os afetos é algo que devemos aprender desde pequeninos. É uma das tarefas principais da mãe ( ou quem ocupe esta função) dar nome aos sentimentos dos seus filhos, ensinando-os, mesmo que este por ser tão pequeninos, ainda que não possam alcançar a extensão das diferenças entre amor e ódio (sentimentos primários).

Enquanto responsáveis, devemos está atentos em ensinar aos pequeninos que existem diferenças de afetos, que estes (sentimentos) podem e devem ser traduzidos em palavras e atos.

Enquanto adultos, se fazemos parte da estatística da economia emocional (enquadramento dos afetos em depressão, angústia e ansiedade), procurar observar se estes sentimentos são legítimos e, se possível, exercitar novas nomenclaturas para as emoções.

Joseane Pires - Psicanalista

HÁ ALGUM MAL EM QUERER SER BELA?



Qual o mal em querer ser bonita?
Qual o problema de cuidar da aparência exterior?
Seria nenhum, se...

Valorizarmos o que há em nós. ...
Investir não apenas na aparência física, como também no intelectual, espiritual, e acima de tudo nos valores morais, que estão em desuso.

O problema em querer ser bonita, muitas vezes começa quando:
- Elegemos as belezas artificiais, acima da beleza natural.
- Quando a superficialidade do ter se sobrepõe a profundidade do ser: 
    Ter sucesso, fama, popularidade, admiradores...
    Ser coerente aos princípios morais, valores familiares, amizades sinceras...

O mundo idealizado da beleza é o mundo dos contos de fadas, onde tudo é perfeito e através dela tudo se pode, em detrimento do mundo real, onde nem sempre a aparência abre portas, é preciso tempo, suor e investimento para se ter algo palpável e duradouro.

Portanto, escrevo não contra a busca da beleza, do cuidar da aparência física, pois, num mundo competitivo, ser bem apresentável é preciso (observe bem, falei ser bem apresentável e não necessariamente ser bonito).

Contudo, na era dos BBB's, onde o corpo ganha destaque e a promiscuidade ganha status de popularidade e fama, é necessário ter pés no chão e separar a fantasia da realidade, do espetáculo à vida real.

Nem sempre o que se ver, sonha ou admira é o melhor para si.
Fica valendo a frase do Apóstolo Paulo: Tudo posso, mas nem tudo me convém.

Joseane Pires - Psicanalista

DE QUE LADO VOCÊ SE ENCONTRA?



Eu não tenho um telefone de última geração, e confesso que às vezes luto contra este consumismo, pois quando olho ao redor sinto-me como a protagonista deste vídeo.

Então eu me pergunto: Será mesmo a culpa de um aparelho eletrônico ou a necessidade, para não se falar, o que ocorre em muitos casos, uma carência de ser aceito e/ou admirado pelo outro?

Claro que não vamos radicalizar, compartilhar momentos alegres, receber elogios, dá uma amaciada no ego é muito bom, contudo, quando isto passar a ser uma necessidade, deixando até de viver o momento presente, quando as curtidas e os comentários postados nas redes sociais passam a ter mais valia do que a conversa a dois, a três, ou do grupo presente, ou até mesmo relaxar e sentir o prazer que a natureza proporciona, voltando ao tempo em que a era digital nem sonhava existir, é hora de parar e refletir.

Isto tudo me faz lembrar, e me força a fazer uma analogia ao valor a que se dá ao dinheiro: é bom quando o usamos, quando o controlamos, porém destruidor quando somos usados por ele, ou quando somos possuídos/escravos pelos benefícios que ele pode nos proporcionar.

Então pense:
Tecnologia hoje: Opção ou Dependência?
Liberdade ou Escravidão?

Joseane Pires - Psicanalista


Assista o vídeo e reflita.
https://www.youtube.com/watch?v=OINa46HeWg8&feature=share
 

A GRAMA DO VIZINHO

 
 
 
Por que o filho do vizinho é o mais educado, o marido/esposa do(a) amigo(a) o companheiro(a) mais compreensivo(a) e carinhoso(a), os pais dos outros os genitores perfeitos, o emprego alheio o melhor remunerável e menos trabalhoso?

 Se dedicarmos mais tempo aos nossos filhos, aceitando-os em sua individualidade, não querendo moldá-los conforme nossa imagem e semelhança... Se ouvirmos mais o nosso ...companheiro(a), investindo tempo em qualidade, reclamando menos, amando mais... Se perdoarmos nossos pais, reconhecendo que são humanos e tão falhos quantos nós... Se gastarmos mais tempo e energia aperfeiçoando nossos conhecimentos, realizando as atividades, dando o melhor de nós... Precisaríamos olhar para grama do vizinho?
 
Joseane Pires - Psicanalista

 TRANSFORMAÇÃO
COMO SINÔNIMO DE AUTOCONHECIMENTO

 
 Quando alguém se propõe a fazer análise, vai em busca de mudanças, coisas que a incomodam hoje, interferem em sua vida, prejudicam seu dia-a-dia. 
 
Contudo, por não conhecer o processo da psicanálise, estranha quando buscamos as histórias da ...infância, com o proposito de transformar/corrigir/curar os sintomas atuais.
 
Então, chegar um ponto da análise que os sintomas, que a trouxeram para o setting analítico deixa de ter tanto valor (isso é o esperado/almejado pelo profissional) em detrimento a um universo de novas informações e descobertas sobre si mesmo. 
 
Tem início ao processo de autoconhecimento. 
 
A partir daí as transformações iniciam-se, de forma tão natural, light, sem dor, culpa ou medo, que, geralmente, a pessoa nem o percebe. São as transformações realizadas de dentro para fora. 
 
Um novo desabrochar, resgatando a autoestima, em seu verdadeiro sentido: amar-se, respeitar-se, compreender-se. 
 
Isso é Psicanálise! 
 
Ah! e os sintomas iniciais?
 
 Desaparecem no seu devido tempo para não mais retornarem . 
 
Joseane Pires-Psicanalista

O QUE ACONTECE NUM PROCESSO DE ANÁLISE?




O inconsciente, em psicanálise, não é o mesmo que o contrário da consciência.
É o que traz o selo das palavras escutadas na infância, dos significantes primordiais que marcaram o sujeito desde que ele nasceu, que tem relação com sua história familiar, com os costumes e o discurso de sua família, pois assim como os traços genéticos, eles também são transmitidos através das gerações.

Sendo o Inconsciente um saber não sabido, um saber que o sujeito tem mas que não está acessível para ele conscientemente, ele necessita de um Outro - o analista – que o escuta e marca em seu discurso onde ele tropeça, o que ele repete e as “sabotagens” que se faz. E o sujeito consegue decifrar em análise seu sintoma, descobre a causa de seu sofrimento, o porquê de suas repetições, das rupturas dos laços afetivos, do uso de entorpecentes, das escolhas desastrosas, das doenças repetitivas, etc. A análise possibilita que o paciente elabore um acontecimento, assim deixará de ser dominado pela repetição, o que muitas vezes é entendido como destino .

Na análise, o analista escuta algo além da intencionalidade, pois é no registro do inconsciente que ele opera, escuta aquilo que na palavra do sujeito o trai, o que lhe atravessa. “É como se as palavras pulassem de minha boca, mas não era o que eu queria dizer”, disse um paciente. Ora, é exatamente o que ele queria dizer, porém não sabia que o queria. E saber sobre isso lhe abre uma nova perspectiva, pois poderá fazer algo diferente a partir dessa descoberta. Assim poderá se colocar como senhor de suas escolhas e não mais atribuirá ao outro ou ao destino o que lhe acontece.
[Via Escuta Analitica]

Joseane Pires - Psicanalista